
Na Praça D. Pedro IV, nas portas 69, 72 e 73, ergue-se uma das mais antigas casas de Lisboa e a mais antiga chapelaria de Portugal, a Azevedo Rua, fundada em 1886 por Manuel Aquino Azevedo Rua. Até aos dias de hoje somam-se cinco gerações de chapeleiros na confecção de chapéus da mais alta qualidade, de renome prestigiado e reconhecimento internacional.

Manuel Aquino Azevedo Rua, o nosso fundador e um dos mais famosos chapeleiros nacionais.
Na realidade, a Azevedo Rua forma duas lojas, com diferentes entradas pela Praça D. Pedro IV uma delas na esquina com o largo de São Domingos. Ambas as fachadas dão o travo a uma das decorações mais sumptuosas que a baixa tem para oferecer. O interior mantém os traços originais da loja, com os balcões e estantes novecentistas, em madeira trabalhada à antiga, polida e lustrada como nos palacetes.
Chapéus há-os às centenas, do clássico Chapéu do Panamá em juco de jipijapa aos exóticos chapéus de gala para Senhora. Estantes repletas de feltros coloridos, cintas de seda vibrantes perfeitamente ajustadas às copas, dobradas com o saber-fazer centenário da única chapelaria lisboeta que viu nascer os modelos Porkpie, Homburgo e Fedora, mantendo-se sempre actualizada nas últimas tendências, ao longo de bem mais de 100 anos.
A história da Chapelaria Azevedo Rua começa em 1886. Manuel Aquino de Azevedo Rua deixou os socalcos do Douro, onde era produtor de vinho do Porto, quando a filoxera lhe arruinou as vinha.Veio para Lisboa com o dinheiro contado que o seu tio padre lhe emprestou, o suficiente para abrir não uma, mas duas lojas no Rossio. No ano de 19... oferece sociedade ao seu gerente de loja Alberto Morais, pela qualidade do seu trabalho. Virá a uni-los, para além do negócio, a amizade, que se estendeu para as gerações seguintes.
Nasceu assim a Chapelaria Azevedo Rua na Praça D. Pedro IV, outrora também conhecida por Praça dos Chapeleiros. Durante décadas ditou a moda entre senhoras e, sobretudo; cavalheiros, que exibiam os chapéus de côco e cartolas nas tertúlias dos cafés. O negócio, porém, só chegaria verdadeiramente à população feminina em 1988, quando o neto e o bisneto do fundador assumiram a gestão da empresa, restaurando o espaço, apostando nessa vertente feminina e entrando em contacto com fornecedores de vários países, de forma a actualizar e modernizar o negócio do chapéu.
Neste momento , a Chapelaria Azevedo Rua, já vai na quinta geração e talvez seja esse o segredo do seu sucesso, pois vai passando de geração em geração, havendo sempre um membro da linhagem do fundador na gestão do negócio.
Provavelmente, nem Manuel Aquino de Azevedo Rua imaginaria que a chapelaria que fundou em 1886, chegaria aos dias de hoje, porém nada disso seria possível sem o amor e a dedicação de cada geração da sua família e da família Morais, que por ali passou, assim como dos colaboradores e ainda dos seus leais clientes.











O uso de chapéus remonta aos primórdios da humanidade, embora seja impossível determinar a data exata em que o ser humano começou a cobrir a cabeça com peles de animais como proteção contra as intempéries. Um dos primeiros chapéus documentados aparece numa pintura de um túmulo em Tebas (Egipto). Outros exemplos históricos incluem o pileus, uma cobertura simples para a cabeça, e o frígio, conhecido mais tarde como "boné da liberdade" na Grécia e em Roma. O pestasos, da Grécia Antiga, é considerado o primeiro chapéu com aba.
Embora tradicionalmente as mulheres cobrissem a cabeça com véus, lenços e outros acessórios, foi apenas no final do século XVI que começaram a usar chapéus estruturados, inspirados nas versões masculinas. No século XVII, a chapelaria feminina começou a desenvolver-se de forma independente.
Durante o século XIX, chapéus feitos de palha suíça e italiana, além de materiais alternativos como papel e crina, tornaram-se populares, e a moda feminina foi dominada por chapéus grandes, adornados com fitas, flores e penas. No final do século XIX, estilos variados começaram a surgir, incluindo chapéus de aba larga.
A década de 1920 marcou o auge dos chapéus cloche, que se ajustavam à cabeça e tinham abas pequenas, reflexo da mudança no corte de cabelo feminino. Após a Primeira Guerra Mundial, a indústria de chapéus diversificou-se, com muitos estilos e materiais novos. As mulheres começaram a consultar chapeleiros para escolher os seus acessórios.
Entre as décadas de 1930 e 1950, Nova Iorque consolidou-se como o centro mundial da chapelaria. Durante este período, a tendência foi para chapéus com copa alta e aba curta. Nos anos 1960, o uso de perucas e penteados esculturais tornou-se comum, mas foi nas décadas de 1980 e 1990 que a chapelaria ressurgiu, impulsionada pela popularidade de figuras públicas e músicos. O design de chapéus passou a ser mais inovador, especialmente nos anos 90.
Desde a sua invenção, os chapéus seguiram ciclos de popularidade, sempre associados a status, identidade ou proteção. Hoje, eles continuam a ser uma forma expressiva de moda. A habilidade dos chapeleiros, aliada a uma variedade de acabamentos e detalhes, possibilita a criação de um número quase infinito de modelos para ambos os sexos.